A ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento, entidade que representa o setor de ar-condicionado apresenta dicas sobre melhor uso do ar-condicionado e a sua relação com o consumo de energia elétrica, não só em dias quentes, mas no dia a dia. No mês de outubro a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira tarifária será vermelha (patamar 2), o nível mais alto, mas com alguns cuidados é possível fazer uso de equipamento sem aumentar o consumo da energia.

O Engº Arnaldo Lopes Parra, membro do DN de Instalação e Manutenção da ABRAVA e especialista da área de ar condicionado, informa que a Indústria já oferece uma sensível evolução tecnológica do ponto de vista da eficiência energética, o que permite que os sistemas de climatização apresentem níveis de consumo de eletricidade de até 40% a menos com relação a sistemas produzidos na década de 90. Isto favorece tanto aos ocupantes de ambientes corporativos, quanto a população em geral, que assim podem continuar a usufruir do conforto térmico, sem ter que desligar seus equipamentos de climatização por conta de tarifas sobretaxadas, visto que equipamentos modernos são mais eficientes e econômicos.

O uso do ar-condicionado ao longo dos anos deixou de ser um item de luxo por estar ligado diretamente a qualidade de vida. O conforto térmico se faz necessário no dia-a-dia do ser humano, cada indivíduo respira cerca de 450 litros de ar por hora, 10 mil litros por dia e passa cerca de 80% do seu dia em ambientes fechados. Sistemas de climatização são vitais para o bem-estar dos seres humanos, na utilização na fabricação e conservação de remédios, alimentos, hospitais, datacenters, shoppings centers, indústrias, aeroportos, residências, entre tantos outros tipos de ambientes de circulação da massa humana.

Na prática, para a Abrava um sistema de ar condicionado bem projetado e dimensionado, corretamente instalado, com a operação e manutenção realizada periodicamente, significa um consumo de energia adequado e um ambiente climatizado com controle de temperatura, umidade, filtragem, renovação de ar, controle da velocidade e distribuição uniforme do ar no ambiente, fatores que aumentam a produtividade, filtra o ar respirado, apresenta sensação de bem estar, o que propicia melhores condições de trabalho, incrementando a produtividade e ao mesmo tempo uma melhor qualidade de vida, além de, propiciar um ambiente silencioso e sem ruídos externos.

Hoje em dia existem no mercado diversos modelos de condicionadores de ar, e alguns requisitos devem ser observados para que o custo-benefício seja interessante para o comprador como a capacidade térmica do equipamento, geralmente utilizado o BTU/h ( Unidade Térmica Britânica) que define a carga térmica que deverá ser removida do ambiente. Para o cálculo certo da necessidade de refrigeração vários fatores devem ser observados tais como a área (m²) local, circulação de pessoas, insolação, entre outros fatores que se não observados sobrecarregam o equipamento e desta forma consomem mais energia; tipo de modelo tais como (ACJ) janela ou Mini-Split (formado por uma condensadora e uma evaporadora); tipo de tecnologia que só esfria ou esquenta /esfria; com tecnologia inverter (capacidade variável) ou convencional (rotação fixa) etc; A ABRAVA recomenda sempre consultar um especialista na hora da compra e se necessário for, a contratação de um projetista para definição destes parâmetros.

No quesito consumo de energia em Edifícios Comerciais, estima-se que o uso do ar-condicionado represente de 30% a 40% do consumo total de energia. Por isso, a Indústria tem trabalhado para produzir produtos cada vez mais eficientes, pois os esforços tecnológicos de conservação de energia se justificam do ponto de vista econômico, social e ambiental.

A ABRAVA destaca algumas dicas para o melhor desempenho do ar-condicionado e melhor eficiência energética:

- Manter a temperatura em 24ºC (conforme indicado pela OMS – Organismo Mundial de Saúde), em conformidade com a Portaria 3.523/98 e ANVISA RE-09, evitando temperaturas muito abaixo ou mesmo muito acima, como forma de ampliar a vantagem do ar condicionado como fator de aumento da produtividade e bem-estar dos ocupantes dos recintos climatizados.

- Limpeza dos componentes: Filtros de ar, trocadores de calor, ventiladores, gabinetes e acessórios. A boa manutenção assegura uma operação do sistema livre de problemas com máxima eficiência e mínimo consumo de energia, desta forma garantindo a longevidade dos equipamentos, excelente qualidade do ar de interiores e podendo economizar até 50% de energia se comparado com sistemas sem a devida atenção de manutenção preventiva.

- Estudos indicam que se todos os equipamentos de Climatização com mais de 25 anos de funcionamento existentes no Brasil fossem substituídos por equipamentos de última geração, a economia resultante com eletricidade seria da ordem de uma usina hidrelétrica da dimensão de Itaipu.

Sobre a Manutenção de Sistemas de Climatização

Os procedimentos de Manutenção para os sistemas de Climatização, podem ser divididos em três categorias, tais como Preventiva, Corretiva e Preditiva. Cada uma das fases acontece em um momento:

Preventiva – momento em que os procedimentos são previamente planejados e ações técnicas necessárias à garantia de desempenho e de durabilidade dos equipamentos, que evitem ou minimizem a possibilidade de interrupção da operação, garantindo a substituição de peças, ajustes e reparos previstos nos manuais e normas técnicas especificadas pelo fabricante.

Corretiva - procedimentos não agendados e sob demanda, destinados a colocar os equipamentos em seu perfeito estado de uso.

Preditiva - procedimentos de análise de parâmetros dos sistemas, tais como temperaturas, pressões, vibrações, correntes que, uma vez combinados, levem a uma interpretação do funcionamento e previsão de quebra ou vida útil de máquinas e componentes, permitindo aprimoramento da manutenção preventiva.

A ABRAVA em conjunto com outras entidades do setor, reconhece e tem se movimentado a favor da aprovação do Projeto de Lei 7.260 do PMOC – Plano de Manutenção e Controle para sistemas de climatização, que estabelece que todos os edifícios de uso coletivo com sistemas de condicionamento de ar sigam diretrizes que garantam a qualidade do ar interno.

No item qualidade do ar interno, o primeiro conjunto de regras voltado para garantir a qualidade do ar em ambientes climatizados foi a Portaria 3.523/98, do Ministério da Saúde, que estabelece regulamento de procedimentos de limpeza em sistemas de climatização para edifícios de uso coletivo. A orientação é que as empresas que possuam climatização em ambientes de uso coletivo, observem que de acordo com as Leis vigentes, é necessário manter um Responsável Técnico devidamente habilitado, para responder pelos serviços de manutenção previstos nas Normas Técnicas e Leis, tais como a NBR 13.971, NBR 16.401 dentre outras, que dispõem de informações sobre o uso e manutenção de sistemas de ar condicionado. Os padrões referenciais adotados complementam as medidas básicas definidas na Portaria GM/MS n.º 3.523/98, de 28 de agosto de 1998, para efeito de reconhecimento, avaliação e controle da Qualidade do Ar Interior nos ambientes climatizados. É fundamental observar a necessidade do Laudo de Qualidade do Ar, a ser emitido semestralmente por Laboratório independente, para a devida avaliação da Qualidade do Ar de Interiores. Este documento poderá subsidiar as decisões do responsável técnico pelo gerenciamento do sistema de climatização, quanto a definição de periodicidade dos procedimentos de limpeza e manutenção dos componentes do sistema, desde que asseguradas as frequências mínimas previstas na Resolução RE-09 da ANVISA.

 

 

 

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